segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A ESCROTIDÃO INERENTE DO SER

Certas coisas transformam o nosso conceito de relação com o próximo uma tarefa mais difícil do que a Ana Hickmann manter sua expressão facial cotidiana:



Durante a nossa vida, descobrimos as coisas boas e ruins. A parte boa é o chocolate preto, o sexo e as pessoas legais e interessantes (ainda mais se for uma pessoa legal e interessante que goste de chocolate preto e sexo); e temos a parte ruim, como o chocolate branco, o sertanejo universitário e uma anomalia no continuum espaço-tempo conhecida como Posers.
IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

Os Posers, ou Alternas (Alternativos) são encontrados com certa regularidade no seu habitat natural, as Faculdades Federais, mais especificamente em cursos de Humanas e/ou cursos de Biologia, música e Comunicação.
Se você fala coisas como "eu não assisto TV!" ou "é que sou cinéfilo, sabe?", ou "ontem a noite foi muito loko, véi!", ou mesmo "cê acha que meus dreads tão mais nojentos do que do Doidêra (que é o apelido que o própio Doidêra fez questão de construir até pegar)?". 
Parabéns, você é um Poser. Ou Alterna.

Logo, pra viver bem é preciso ir em todos os tipos de festas da faculdade ou qualquer festa relacionada a alguma atividade pseudo-intelectual-alternativa e mesmo que essas festas sejam só para fumar maconha ou agir como um babaca pra que todos te vejam e no outro dia falarem CÊ É MUITO LOKÔ VÉI sua atitude vai ser concordar e falar que você sempre foi assim pra que não cause nenhuma estranheza em ninguém e a partir de então sua identidade acadêmica vai sendo construída e seu facebook vai mostrar praqueles que ainda duvidam que sua vida é regada a viagens e pessoas LOKAS e zero de infelicidade e aí é só se vestir como se vivesse nos anos 60 e de repente você não precisa mais conversar com ninguém pois todos sabem quem você é você é o Doidêra e é só agir como esperam que você aja e tudo vai correr sempre bem. 

"Escrevo sem pontuação para passar a sensação de falta de fôlego". Kerouac.


Como as coisas estão entrelaçadas, o gosto musical se reflete no gosto por filmes, que por sua vez se reflete nas suas roupas e blá blá blá...

A identidade pré-poser (ou Alterna) é sistematicamente desconstruída para formar uma nova que se adeque ao seu novo estilo. 

Você pode fazer tanto o estilo Hippie-de-Butique quanto o Pareço-um-arco-íris, ou o Não-tomo-banho, ou Tênis-machucam-meus-pés-por-isso-só-uso-sandália.

Ou todos num só.

...

Enfim, era pra ser um post sobre os "novos nerds", mas já escreveram muito bem sobre: 
http://www.quediabos.com/2011/11/como-ser-um-nerd.html

E o Kerouac nunca disse aquilo.

Seu poser.

sábado, 22 de setembro de 2012

EVERYBODY LOVES CHRIS



Conheci Na Natureza Selvagem, o livro, muito tempo antes de ver o filme. Engraçado que não dei a mínima na época, acabei tratando mais como um livro-reportagem sobre algum tipo esquisito norte-americano que tentou ser ousado e teve como “recompensa” uma morte solitária em algum lugar ermo.
Mais estranho ainda é só ter dado alguma chance ás aventuras de Chris McCandless quando do lançamento do filme, e ainda assim só quem me levou a ver foi o indivíduo que ocupava a cadeira de diretor: o politizado Sean Penn.
Duas horas depois, catei o livro e devorei numa sentada, só equivalente a própria jornada de autoconhecimento do Supertramp. Porra, tava tudo ali!! A insatisfação, solidão, reflexão e mais alguns “ãos” misturados com o gosto pelos mesmos autores, desde o poeta Walt Withman, passando pelo via
jante solitário Jack London, e o Conde Liev Tolstói, ou Leon Tolstói, ou Leão (hã?) Tolstói.


Revi o filme, reli o livro, redescobri a mim mesmo e fiquei muito tempo me perguntado: é ousadia misturada com uma falta de auto-preservação ou é tudo aquilo que uma hora ou outra a gente quer fazer? Dar um belo e grande foda-se pra tudo e todos, e ainda mais do que esperam que a gente faça, ou diga ou mesmo vista.
Deixo esse texto simples e honesto, acho que Christopher McCandless - ou Alexander Supertramp – ia gostar da franqueza, mais do que da quantidade.
Assim como eu aprendi com ele.

Valeu, Chris!