sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A decomposição “arnaldojaboriana” da macromídia opinante.



               É tarde para alguns e nem tanto para outros, mas indiscutivelmente, é infeliz a ideia de ligar a televisão naquela hora da noite, quando surge na fictícia tela a figura, mas bem que poderia ser um pesadelo, do ícone intelectual do jornalismo para a classe média-alta brasileira (e que perdoe-me o Pedro Bial, ele é mais para a média-baixa), com seu ar(tificial) de cineasta louco bradando com suas frases (nem tão bem) feitas, o ilustre e bem pago Arnaldo Jabor, munido de sua eloquência crônica, ou melhor seria, sua crônica eloquência de cronista.
            O alvo como sempre é o povo, mas a fachada da vez é a questão da mídia argentina, os cuidados que o hermano governo está tomando em relação á grande mídia, á que detém as posses, o poder e o controle de tudo que se faz jornalisticamente no país, os latifúndios da comunicação, ás elites, os que se alimentam da desgraça do povo para arrotar notícias sobre ele depois. São algumas formas de controle que não impedem que ninguém fale o que pense, que não amortiza ninguém, apenas pretendem os governantes do país vizinho que o que se diga seja verdade, seja ético, seja conforme o jornalismo deva ser, e não como tem sido. Mas o alfinete cutuca as maiores bundas, e a que se senta sobre a mídia de lá, é o grupo Clarín, e aí o grito é mais alto. O Clarín de lá é a Globo de cá, e é nisso que reside toda a ira do nosso ilustre jornalista, pois as intenções de ambas empresas é o senhorio de engenho intacto, o povo caminhando na rédea curta, e o açucarado sangue sendo extraído, através da alienação e das chibatadas no lombo da população em forma de notícia desde as primeiras horas da manhã até o momento de deitarem-se. Enfim, o objetivo é as direitas no pedestal.
            O que o cineasta-comunicador sabe é que aqui também poderia acontecer o mesmo, poderia, se o petismo guinasse bruscamente para o contrário de onde vai, á esquerda. É claro que isso está longe de acontecer, mas também é verdade que uma tendência ganha força na América latina com os há muito consolidados governos característica em vários países. Isso  ficou evidente quando, no ápice do devaneio telejornalístico, o dramaturgo traçou uma linha fascista em sentido sul-norte no subcontinente, citando o país central da crônica, a Argentina, e depois, como quem prega marcadores em um mapa, a Bolívia, salvo engano o Equador, e, não poderia ficar de fora desta, a Venezuela, e esqueceu-se do Uruguay, o que por sinal é ótimo para os “charruas” de Pepe Mujica. Sim, fascista foi a expressão que ele usou, e não que eu interpretei com intenção dele e tivera enfiado á força aqui no meio do texto, ele usou e inacreditavelmente, creio que realmente acredite nisso que disse, pois para quem come caviar, aquele que não come é perigoso. “E o Brasil olhando tudo isso, sem se opor a nada”, foi o que concluiu hitleriano artigo, talvez não exatamente com essas palavras, mas exatamente com este sentido.
            Em relação à fala ao Brasil, até poderia ser esta um feixezinho de luz em meio ás obscuras palavras, se a intenção não fosse equivocada, mas como foi, então perdeu-se isso também e foi como colocar mais sombra na escuridão. Que o Brasil tem apenas assistido os nossos irmão ameríndios em suas ações, isso ninguém pode negar, mas o que pretende o globalino funcionário é que o nosso governo encontre no fundo do baú o velho arco e flecha, e tome seu posto no braço direito dos colonizadores e avance sobre as perigosas e evoluídas comunidades andinas. Não que de certa forma o governo tupiniquim não faça isso, mas faz somente de forma econômica, o que não machuca muito, e, além disso, somos uma nação simpática e hospitaleira, violência não condiz conosco, apenas “negócios são negócios”, “não queremos mal aos nossos vizinhos” e “deixem que com os lá de cima, nós resolvemos”.
            Se ele queria, estava com uma ligeira vontade, uma inquietação apenas, em palestrar sobre “fascismo” na América do Sul, uma das opções seria o Paraguai, que vive uma situação de golpe, e aí sim poder-se-ia evocar a palavra “fascismo”, ou os diversos e sucessivos governos norte-americanos que governam a Colômbia, mas não, e é até lógico, porque ninguém propositalmente atira no próprio pé. Só que não era isso. Isso foi um comentário satélite, que estava rondando a cabecinha grisalha mesocalva e de repente foi pinçado, como se ele quisesse compactar mais o tema central, a mídia argentina e a suposta “mordaça” governista. Bem, mas nesse caso ele foi até pior. Sim, porque ele, criado e mantido pela rede globo, deveria ter a obrigação de ser expert, em censura jornalística, haja vista a pujança estrutural que esta empresa atingiu durante o período de ditadura militar aqui no país, um período no qual ninguém conseguia noticiar nada de verdade, onde nada e nem ninguém obteve êxito no ramo tendo ética, a Globo aqui, como o Clarín lá, conseguiram, e não foi com estas atitudes. Mas não conseguiu. E não conseguiu pelo simples fato de que tem medo do dia em que perderá a confortável posição de opinante nesta proprietária de opiniões do nosso país, e é esse medo que faz com que as suas opiniões se decomponham, mostrem-se putrefatas, fétidas e lúgubres, e que pareça um louco, sim, mas não no bom sentido, não no sentido intelectual, no sentido medroso mesmo.
           E depois as câmeras voltam a focar o apresentador do telejornal da virada de data que ordena aos trabalhadores que já é bastante tarde e que já deveriam estar dormindo para que no outro dia acordem e vão trabalhar sob as ordens do telejornal matinal, e este está com um leve sorriso sarcástico no rosto, como de quem acaba de presenciar uma heroica atitude irá salvar a engenhosa torre de babel midiática, e com isso, o seu cargo de repetidor de opiniões também, e a classe média-alta pode ler em seus olhos semi-apertados que já poderiam ir dormir com tranquilidade.

 

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