terça-feira, 11 de dezembro de 2012

In-tenso.


Foi no momento em que acordou, que é na verdade aquele momento logo após o brusco acordar, o segundo posterior a abrir os olhos e a sentar na cama, praticamente simultâneo ao esfregar de olhos, quando tenta-se organizar os pensamentos e sentimentos, e ter medo que tudo se perca na memória, em que se pensa em tentar voltar ao sono, ao apalpar os lençóis e não querer acreditar e tentar lembrar do que há pouco era outra coisa, era o que tinha que ser, o que deveria ser, o esforço para que fosse novamente (ou, se fosse possível que viesse a ser), de sentir o perfume que lhe tomava conta do peito, do corpo que comprimia sua alma, do beijo que lhe cobria as entranhas, do peito que se abria à tudo, da língua que revirava seus olhos, dos olhos que lhe engoliam completamente, dos braços suados que não se afastavam, do calor da pele em suas mãos, da boca que gritava em sua orelha, do suor que lambia as pernas, da voz que gritava em sua boca, do calor que lhe arrepiava a pele, da alma que se derramava entre as pernas, foi nesse momento, exatamente nesse momento que disse:

- Queria que este acordar fosse sonho!

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