sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

o lado lumiado do olhar





acordo só

          pra saber de cor

todas as coisas

 

                     tais não cabiam

no amanhã de ontem

                   em desacordes

 

                qual a cor

das cores
 
do outro lado do sol (?)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

caldo das ruas





as ruas cheias
ardendo
fedores
às cheias das chuvas
as ceias de fé
e de dores
e de gentes andando
sujas
as ruas
- liquidificadores –

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

big-"bem"






que morra
todo erro de nosso reino
todo rei de nosso tempo;
enfie toda prata
no prato
entre as pernas
morra o rei
e não mais roa
a fronha dos ratos;
morra na hora certa
e morda a corda
nos pulsos retos;
morra onde mora:
rei-de-copas na copa
rei-de-espadas na espada;
se demora se for por honra
ou na torre, se quiséreis
masmorra

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

encontrados e poetiços






"Haikai sobre xilo"

Haikai de minha autoria sobreposto a xilogravura do Vermelho (vermelhoxilo.wordpress.com)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Haikaos" de deuses e Homens





carne
qual dos deuses
que à terra dos homens
nos “subjogaram”
 
...........................................................
 
*pão
tanto pecado
como pão amassado
(por homem ou diabo)
minh’alma paga
 
 
*laisse zfair

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"Haikaos" metrópolis





desbudismo
pressurizada
a calma; é muita pressa
pra tanto karma
 
 
 
 
---------------------------------------------------------
 
rua sem saída
esquinas dobradas
dia-a-dia, retorcidas
avenidas duplicadas
(ideias reduzidas)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Haikaos" das sobras...





arcado
das obras e anos
sobra o peso do mundo
nos escombros
 
 
 
 
pó civil
podemos ser pó
- da terra ou das estrelas -
ou só pó de ser

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Retrógrados (I e II)




ultrapensado (retrógrado I)
 
olhou pra trás
e ocorreu pensar;
virou e não conseguiu mais
alcançar
 
 
 
 
 
discutidíssimo (retrógrado II)
 
se te digo que isso
é apenas um indício
voltamos ao início
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Holísticas (metamorfose & ecológica)


Holística (metamorfose):
 
subjetivada
a meta: amor; fase
naturalista
 
 
 
Holística (ecológica):
 
o som da Terra
retorna "vida" ao ar:
eco lógico

sábado, 16 de novembro de 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pardal


p               p               p

       o             o               o

             u               u             u                                                                               a

                    s               s              s                                                                o                  a

                           a               a            a                                               v                  o                 a      

.........um..................                                                                               v                   o       

                                                .................................em...............               v     

                            ...........................cada................                 
                                                                                ..........................fio..................................

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Trilogia do silêncio (haikais concretistas)





I - Vácuo – ou “de(ci)beis

mundou o mudo

inundou de silêncio

o som do (i)mundo

 

II - Mordaça santa

há mais voz uns

do que outros

que como “ti” mesmo

(não tem voz)

 

III - Engolido

melhor seria

na hora da resposta:

não; falar ria

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ribeirinho (Kyyaverá)



 
 
as margens deste rio
não estão no centro
(São Paulo, ou Rio)
estão às margens
dos “grandes centros”
mas destas margens
são o centro
 
 
 
Imagem: xilogravura do amigo Vermelho, que disponibiliza seus trabalhos no blog vermelho.wordpress.com

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pé tá lá (ou "a pelos")

(Releituras em cada linha)
 
 





Pé tá lá (ou “a pelos”)
Ela
pé lá dá
a flor
da pele
Ele
a vela
 a pé la
a flor

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Selvagem (?)




A

civilização

piromanias, prédios,

pontes e outras piras; hierarquias

pirâmides invertidas

mato e rio
 
eu

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A ilha solitária que rodeia a multidão


 
 
A ilha solitária que rodeia a multidão
 
 
Amanhecia o dia e aparecia o sol nos retrovisores dos automóveis que ouviam de seus rádios as previsões do trânsito para mais aquele dia que prometia nuvens carregadas para a cidade – com chuva ou não. Os semáforos dirigiam a vida de todos e raramente permitiam que alguém pensasse em outra coisa que não fosse nos seus arcos de cores (que não estimulam a íris de ninguém) e nos segundos que autoritariamente brincam de tirar da vida de cada um que forma fila para aquilo.

 A imobilidade do trânsito convida os olhos a saírem de foco e levarem consigo os pensamentos a situações aparentemente absurdas de serem pensadas ali, naquela situação, e ela fecha os olhos e vê a velha estrada de chão esburacada; o caminho de volta a sua infância – ouve o rádio dizer e logo repetir a hora, lembra que no seu celular estarão contados cinco minutos mais do que os radializados e que provavelmente chegará uns dez minutos atrasada – e as nuvens de poeira que elevam-se da estrada agora não desbotam o verde das folhas nas suas margens e ela, a estrada, se movimenta ininterruptamente em ondas como um tapete que é sacudido, mas não expele o seu carro, aliás, aquilo tudo é bastante divertido para ela e também para todas as várias outras pessoas, todos jovens como ela, que estão no carro, e que ela não sabe quem sejam exatamente pois não consegue tirar os olhos do caminho e apenas ouve os gritos e gargalhadas misturadas, e olha para as mãos e percebe que o volante que segura não tem influência alguma sobre a direção do carro, que parece guiar-se por conta própria – ou pela estrada.

Os olhos abrem-se e ela está lá, no mesmo lugar, apenas com o automóvel virado em sentido oposto ao que de manha estivera exatamente ali, naquele ponto da mesma avenida, e o semáforo que naquele período estivera as suas costas agora põe um ponto vermelho no centro de cada um dos seus olhos abertos – e nos olhos de todos que estão ao seu redor olhando-o fixamente como que por adoração. O rádio diz que o transito está péssimo e aconselha que aquele não é um bom momento para se sair de casa dirigindo. A penumbra através do para-brisas cansa os olhos e as pálpebras caem lentas juntas com a noite, e dentro da noite dos olhos também é noite e há varias crianças além dela segurando candeeiros com velas acesas pois acabara a energia elétrica. Brincavam de esconde-esconde, sendo que todos escondiam-se e todos também procuravam ao mesmo tempo, e assim, brincariam a noite toda e não haveria vencedores ou perdedores. Ouvia cochichos e risos muito baixos, quase sussurrados, de todas as outras crianças, mas não se podia ver o rosto de ninguém na escuridão, e pensou que pudessem todos estar querendo apenas encontrar ela, mas depois percebeu que também fazia o mesmo. Pensava que reconhecia as vozes e por algum tempo se esforçava para concluir de quem seria a que era ouvida no momento, mas nunca conseguia. Quando as velas já se esvaiam junto com o arrefecimento da cegueira noturna, estavam todos muito cansados, e enfim as chamas escassas de cada candeeiro se juntaram e numa só elevou-se em sol desde eles até o céu, e ofuscou o interior dos olhos que permaneciam fechados.

As cortinas de pálpebras afastam-se e ela está lá, no mesmo lugar, apenas com o automóvel virado em sentido oposto ao que no anoitecer estivera exatamente ali, naquele ponto da mesma avenida, e ela vê em amarelo o que por frações de segundos pensa ser o sol, mas logo percebe que o sol brilha em seu retrovisor e que aquela luz que agora torna-se rubramente incandescente é o semáforo, que no último passado anoitecer estivera as suas costas. O rádio diz que poderá chover, o que para as previsões sobre o transito é uma certeza de complicações para a locomoção automobilística, e num intervalo de cinco minutos diz a “hora certa” três vezes para auxiliar todos a saírem de casa a tempo de seus tempos. Ela sente-se cansada embora ainda seja cedo, e encosta a testa ao volante; num piscar de olhos está sentada à uma mesa de restaurante com os talheres postos a sua frente e mais uma colher na mão. Há mais quatro pessoas além dela na mesma mesa e ela os conhece mas não reconhece, pois são todos mais velhos, e todos levam nas rugas e marcas do rosto expressões tensas e incomodadas. Olha-se na colher que tem na mão, mas também não se reconhece no reflexo, e pensa que é porque o reflexo está invertido e invertendo a colher se vê melhor e percebe que há, sim, ela atrás das próprias rugas e marcas do rosto. Ouve protestos e reclamações dos outros e quando tira a colher da frente dos olhos os vê sentados em suas cadeiras de cabeça-para-baixo, e um deles fala “além de nos obrigarmos a vir aqui, você ainda piora as coisas?”. O garçom chega com a comida numa bandeja; o prato é uma azeitona de tamanho razoável (haja visto que estão em cinco, ponderou sua amiga ao fazer o pedido) com queijo ralado em cima, e todos estão com os garfos e facas em punho para a partilha exatamente igualitária. Ela diz que como está sentada corretamente, se preferissem, poderia servi-los, e ainda mais, ficar com o caroço, só pra sentir o gosto, mas todos protestaram veementemente, e ela tentou justificar dizendo que estava com a colher, e então percebeu que todos também já empunhavam colheres e que viravam-nas de cabeça-para-baixo. Mas um deles se exaltou e virou o reflexo do garçom e a azeitona caiu sobre a mesa fazendo respingar pedaços de comida por todo o lugar. Ela baixou a cabeça e começou a chorar e o garçom lhe estendeu um guardanapo para secar as lágrimas.

 Ergueu o pescoço e abriu os olhos, e está lá, no mesmo lugar, apenas com o automóvel virado em sentido oposto ao que de manhã estivera exatamente ali, naquele ponto da mesma avenida, e ela e todas as outras pessoas dos outros carros se assemelham a coelhos com desconfiados, fixos, e vermelhos olhares para o semáforo. O rádio afirma que haverá precipitação pluviométrica a qualquer momento, e que não poderá haver precipitação alguma por parte dos motoristas senão a situação do transito se agravará, diz a hora e diz que aquela não é uma hora apropriada para sair de casa quem for dirigir. Recosta-se ao banco, respira fundo e fecha os olhos. O celular toca e ela atende para ouvir a voz que sai do aparelho lhe dizer “Oi, tudo bem? Vamos sair? Beber algo? Comer algo? Conversar? Jogar? Passear? Me ligue, tchau!”, e ela sai do carro e sente os primeiros pingos da chuva explodirem no rosto, volta ao interior da cápsula, pega um papel e uma caneta e escreve

 O vento que atravessa em mim leva a brisa de volta para as entranhas da noite e o mar que habita os grandes vazios dos mundos leva os rios que ali nascem para longe de minhas costas - longe do meu corpo – para longe dos interiores até sobre os nirvanas que se dissolvem em ventos que agora atravessam em mim

 dobra o papel e enfia-o numa cavidade do celular e o envia para quem ligou.

O celular toca e ela abre os olhos e está lá, no mesmo lugar, apenas com o automóvel virado em sentido oposto ao que no anoitecer estivera exatamente ali, naquele ponto da mesma avenida, e o semáforo que naquele período estivera as suas costas agora como uma placa vermelha a sua frente permite que ela atenda a ligação, e a voz que sai do aparelho diz “Oi, tudo bem? Vamos nos encontrar? Fazer algo hoje? Descontrair, sabe...” e ela responde que está bem, mas que não quer sair e nem fazer nada, porque tem feito tantas coisas ultimamente que se sente muito cansada e só quer descansar de toda aquela solidão que todos compartilham. Desliga o telefone e ouve as previsões para o transito e a “hora certa”, e pensa que chegará atrasada enquanto seus olhos saem de foco.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

domingo, 29 de setembro de 2013

O amor só existe de dia







O amor só existe de dia

 
Estende-se a noite como o fazem os felinos de dia ao descansarem dela, em lentos e preguiçosos movimentos que parecem não querer sair de uma sonolenta madrugada, que intenciona-se incólume em seu disfarce de paredes opacas e meia-luz de um abajur que em alguma década passada teve certo charme estético, mas agora apenas contribui para o aspecto lúgubre com que o ar pinta o recinto com pinceladas de fumaça.

Afundado ao sofá, observa no copo que segura e sente que algo dentro de si mesmo estala e trinca junto com os cubos de gelo, e as gotas do lado externo escorrem e molham seus dedos, e se alguém mais estivesse ali naquela sala ouviria um sopro que carregaria a frase “porque fez isso de novo?”. As palavras, as interrogações e exclamações, saiam espaçadas por minutos , como se fossem concluídas após serem destiladas de turbilhões de outras palavras tragadas em vértice nos pensamentos, enquanto davam-lhe tempo para a bebida e o cigarro da vez. “Perdão, e vem me falar de perdão?! Desta vez não!”, esbravejou de forma que se alguém se avizinhasse ouviria plenamente, e não entenderia o contexto da frase, todo o restante que foi somente pensado, a lamentação posterior interiorizada, “porque não fica com as suas culpas e me deixa em paz com as minhas? Porque não enfia todos os perdões do mundo no cu?!”.

Aproximou-se da janela, abriu-a; a noite apresenta-se com seu silêncio ensurdecedor, aos gritos de socorro para salvar-se dela mesma em sirenes e badaladas catedráticas; os automóveis correm contra o tempo para saírem vivos a tempo daquela falha espaço-temporal obscura; as fechaduras trancam-se tentando não passar pelo inevitável portal que conduz tudo àquele mundo de medo que intercala as luzes; os cães acoam, acuados olham, caóticos e calculistas, e tudo ecoa no negro vácuo da madrugada; “desta vez não vou pedir perdão porra nenhuma!” disse olhando para um gato que flertava no telhado ao lado, e bebeu de uma vez só a dose já sem gelo.

Voltou-se à casa e aos pensamentos espirais do novo fumo, e depois, já cansado daquilo tudo, foi ao banheiro lavar o rosto e as mãos e olhando-se no espelho reconheceu-se atrás daquelas olheiras e da cara molhada, respirando fundo tentando pensar em tudo o que havia pensado durante toda a noite. Saiu do banheiro e voltou à janela, e viu que a manhã pintava suas mãos e seu rosto, e tudo o mais que enxergava, com suas matizes e maquiagens laranjadas, e pensou “bem, agora ao menos já posso pensar sobre o amor”, e sentiu vontade de sair, caminhar e tomar café.

domingo, 22 de setembro de 2013

(duas) poesias regionais - concretas, pontes e sóis



O pôr na ponte (ou Cuiabávarzeagrande)
 
a ponte não vai:
aponte e vá
à ponte
ao poente
 
 
 
Visita do sol no centro
 
vem cá lorde sol,
nas costas que não (h)amar
aqui ser o coração

domingo, 1 de setembro de 2013

Piscada/empecilho




Empecilho no acordado

em pé cilho
olho vivo na venda do sono
acordado


Piscada no 1/2 da loucura

no meio das caóticas
                      a ótica
                         "tic"

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Me(n)tal





Quem forja os teus músculos?

Qual o Senhor de tuas ilusões?

Perdidas?

Fundem-se no metal que nos une;

Unem-se liquidas ao sangue;

Qual metal que guia os teus punhos?

E que abre a porta de onde saem os destinos?

Prontos?

Da fornalha sai mais um corpo incandescente;
Quais os músculos que tu forjas?
Qual o servo de tuas ilusões?
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Imagem de estação no cerrado





 
 
vento vento vento vento
vento seco seco seco seco
seco ipê ipê ipê ipê
ipê com flor com flor com flor com flor
com flor no chão no chão no chão no chão
no chão seco seco seco seco
seco vento vento vento vento
 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

(H)aja poesia, engaja!

Três "haicais"/ou poesias concretas, envolvendo e desenvolvendo as classes trabalhadoras:
 



Feira de corda

acorda leva
na forca-de-trabalho
o corpo pesa




Esconde-esconde na fábrica

vendo você
escondo o que “mais valia”
atrás do quadro




Filosofia espiritual na roça

carpi dia sol
na cabeça inchada
de carpi dia