domingo, 23 de junho de 2013

O "feice" do povo (caiu na rede)



Caiu pra dentro,

saiu do otário,

tá na rede, tá no centro,

caiu na rede

é conto, é gol,

é ponto do vigário,

com cartaz e vídeo

de craque, irreverente,

é foto e comentário

da festa e do manifesto,

é peixinho no aquário;

caiu no samba, na avenida,

com mestre sala e porta-estandarte

de cartaz de frase-feita

com tinta da cara, mascarada,

sob qualquer baluarte,

é só olhar, tá na rede,

tá registrado

com pose (im)própria,

tem proprietário,

é fato histórico no cartório;

é foto histórica de estádio;

tá na capa

do álbum e do jornal,

tá na copa,

teatro e carnaval;

caiu na rede, é só olhar,

é pra inglês ver,

espanhol e japonês saber,

que tá na rede, é só comemorar;

caiu no conto, é só contar,

os milhares e os danos

na conta dos donos;

saiu pra rua, pra arquibancada,

ela torce e também vaia,

não tem educação,

é mal-educada,

mas não tem risco, é comportada,

é torcida organizada

pela mídia e pela rede

social ou financiada;

é mais um gol, mais um ponto

e mais um nó, mais um peixe

que caiu na rede, é “feice”.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Série "Haikai na Xilo"

Série de Haikais inspirados nas xilogravuras do amigo e grande artista Vermelho, que, em parceria inicial, possivelmente tornaremos em uma publicação tão inédita quanto original.


Série "Haikai na Xilo" III - Não (Hai)cai: Equilíbrio de súbito

Nos movimentos
da dança e da vida;
equilíbrio.




Série "Haikai na Xilo" II - Não (Hai)cai: Equilíbrio em voo

Equilibrado,
paira no ar, parado
voo colibri.


Série "Haikai na Xilo" I - Não (hai)cai: Equilíbrio em pausa

Força pausada,
mente equilibrada;
corpo e alma.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aprendendo a andar no concreto

Esta pequena obra concreta, foi poeticamente criada pelo meu filhote. Eu apenas enxerguei as marcas dos primeiros passinhos no chão.



      Um

                    Por
  Um

             Dois
Três
                 Passos


Primeiros de um bebê.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Interno frio de externo


De que servem todos estes aparatos,
cobertores velhos, todos os retalhos
de vida, de tempo e de espaço,
se sou eu o próprio frio epiderme
que arde sobre todos os concretos
enquanto a cidade dorme;
se sou eu o som dos passos
de algum ou qualquer sapato,
calçado apertado,
sobre a umidade de alguma calçada;
se há uma rua entre as duas,
se há esta rocha antropizada,
este rio imóvel de frio,
que tira do meu alcance
os passos frios da outra margem,
mesmo estando ao meu lado;
se a névoa fina dos meus olhos,
a que paira no ar gelado,
deixa o quarto embaçado,
deixa os gatos nos telhados
e os pés molhados,
não me deixa ver no outro lado, deitado,
o espectro orvalhado
que não sai do meu olhar
e petrifica quando tocado;
se não vejo estando me olhando,
não sou o frio que sinto me tocando,
se o que vejo, toco e sinto,

não sinto me sentindo.